domingo, 17 de outubro de 2010


Ressurreição de Cristo – Rafael
1499 - 1502
Óleo sobre madeira

A obra é mostra uma composição bastante simétrica, mantendo a figura de Cristo no alto do eixo central. Distribuídos de forma equilibrada estão quatro soldados, dois de cada lado do quadro, formando um retângulo que tem como centro a tumba, também retangular. Os movimentos das figuras do primeiro plano convergem em Cristo. Ele, representado em figura delicada e corpo saudável, o que, provavelmente, simboliza a sua beleza espiritual, aparenta estar andando no ar bem acima da tumba, aparentemente sobre um raio do sol que surge no horizonte. Porta o estandarte da ressurreição, uma flâmula de cruz vermelha sobre campo branco (composição também conhecida como “cruz de São Jorge”). Essa figura pode representar “o Cordeiro”, aquele que foi sacrificado pela humanidade, visto que o Cordeiro Pascal é um símbolo heráldico que remete à ressurreição de Cristo. Ainda no topo do quadro, ocupando toda a área do céu, ladeando Jesus, afiguram-se dois anjos. Sua constituição física, assim como a do Cristo, é feita de modo a exibir a beleza, deixando-os com aspecto ligeiramente andrógino. Suas asas, apesar de não serem tão fortes como em obras da idade média, possuem cores, o que talvez queira dizer que se trata de um período anterior ao estabelecimento da convenção das asas de pombas para os seres celestes. As fitas carregada pelos anjos me é um total e completo mistério.

Como já mencionado, na metade de baixo da obra temos quatro soldados dispostos, conforme a tumba centralizada, em disposição retangular. Eles aparentam espanto diante da figura ressuscitada. É fácil notar que o artista optou por sacrificar, perdoado pelo trocadilho, o aspecto histórico para deixar a peça mais reconhecível ao público quando observamos suas vestes. Ainda que, por exemplo, o soldado em pé à esquerda esteja trajando equipamentos semelhantes aos romanos, o que mais se vê são armas e peças de armaduras da baixa idade média, mais ou menos contemporâneas ao quadro. Esse recurso, muito usado na retratação de deuses greco/romanos, torna o sentimento da visão de um soldado mais palpável. Todos os quatro possuem partes vermelhas nas roupas ou equipamentos. Isso possivelmente se deve por serem romanos, diferentemente de cristo, cujo vermelho normalmente simboliza a carne.

Próximo do soldado sentado à esquerda podemos ver uma serpente se aproximando. Como representante do pecado, da tentação e do diabo, ela pode estar simbolizando o destino que aqueles soldados terão: o inferno (jigoku).

A tumba é feita de mármore com detalhes em ouro. Esses detalhes têm uma forma singular. Na internet vê-se falar que se trata de golfinhos, mas as figuras aparentam-se mais com serpentes com cabeças demoníacas com chifres. Talvez sejam mesmo golfinhos, mas do tipo dos golfinhos heráldicos, que eram mais criaturas místicas que animais, de aparência bastante divergente daquela que as pessoas estão acostumadas a ver. De qualquer maneira, a simbologia de tal me é escusa.

No centro, ao fundo, podemos ver as três santas se aproximando do sepulcro. A virgem e as demais não aparentam notar q cena que se passa no primeiro plano. Uma delas olha para a peça que carrega nas mãos enquanto as outras duas conversam. A paisagem se divide em duas. À esquerda existe um caminho que sobe um suave morro por onde andam as Marias. À direita um vale se projeta ao horizonte, azulado talvez devido à manhã que acaba de despontar. Diante da entrada para o vale existe uma garça, grou ou outra pernalta com significado desconhecido por mim.

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